Um pouco sobre sua historia
Durante muitos anos, cultivou-se uma grande rivalidade entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro no que tange aos estilos musicais predominantes em cada região. O Rio de Janeiro, por exemplo, criou o ritmo Funk Carioca, que possui em sua essência temas como a vida nas favelas e a exaltação da mulher - esta última, através do funk melody, e ao "proibidão", que canta sobre criminalidade e possui conteúdos de apelo sexual; no entanto, tal estilo não era aceito em São Paulo, pois era julgado pela maioria como alienante - apesar de uma crítica social se encontrar presente. Em contrapartida, os paulistas apresentavam um discurso contundente espelhado nos rappers norte-americanos da chamada velha escola do hip hop, preocupando-se em expor os problemas do governo em batidas pesadas e agressivas, as quais não foram bem-recebidas no estado vizinho por serem vistas como "chatas e antidiversão". Esta divisão explica a existência de poucos cantores de funk em São Paulo, bem como poucos rappers no Rio de Janeiro. Com o funk ostentação, essa divisão entre os estados acabou ficando bem menor, visto que ambos encontraram um "meio-termo" em seus ideais.
Não há um tema único tratado nas canções de funk ostentação, porém, como o próprio nome já diz, a maioria dos artistas faz uma menção a ostentar, ou seja, vangloriar-se com alta pompa sobre algo. Entre os assuntos mais utilizados pelos artistas estão os bens materiais - como carros, motocicletas, casas, apartamentos, roupas, acessórios e bebidas - mulheres e a ascenção social, ocasionada por uma ideia de ambição e superação. Apesar de ostentação ser antônimo para termos como humildade e simplicidade, os cantores citam frequentemente em suas canções tais atributos, para demonstrar que com perseverança conseguiram alcançar os seus objetivos. Um dos principais exemplos disso é o ex-pedreiro, MC Boy do Charmes, autor do primeiro videoclipe de funk ostentação, que utiliza versos de superação em quase a totalidade de suas músicas. Para MC Bio G3, precursor do estilo, a ostentação não se resume em exibir-se: "Mas nosso objetivo não é esbanjar, e sim mostrar que, mesmo vindo de baixo, a gente conseguiu chegar aqui e qualquer um pode chegar também".
Pelo número de exibições em seus videoclipes, bem como seguidores no Twitter e no Instagram, Guilherme Aparecido Dantas, conhecido como MC Guimê, pode ser considerado como o principal nome do ritmo, sendo noticiado por alguns meios como o "rei do funk ostentação". De origem humilde, o cantor foi criado apenas pelo pai e estudou até a terceira série, após resolver enfrentar a carreira de cantor e em seu ápice, realizar cerca de cinquenta shows mensais. Após sofrer insultos em uma apresentação na periferia, ele resolveu explicar a razão de suas músicas: "A galera me vê tatuado, com ouro, e pensa que quero ser maior do que alguém. Mas quero mostrar que todo mundo pode. Os fãs que conhecem minha história já sabem que foi difícil para mim. Passo a visão de não desistir do sonho, sou uma prova viva. Essa é minha visão da ostentação." Em entrevistas aos portais da internet, Guilherme afirma que seu cachê mensal ultrapassa meio milhão de reais, chegando até 800 mil reais, que são investidos em casas, carros e objetos pessoais. Um dos motivos de sua impulsão rápida se deve à uma longa amizade com o rapper Emicida que teve ascensão similar; a união entre ambos resulta na realização de shows dos dois cantores no mesmo palco. Guimê fez uma participação no disco O glorioso retorno de quem nunca esteve aqui, de agosto de 2013, na canção "Gueto". Em novembro, entretanto, os papeis se inverteram para a música "Pais do Futebol", onde Emicida fez uma participação especial na segunda estrofe; a música teve direito a um videoclipe com participação do futebolista Neymar e deixou o tema de ostentação um pouco de lado.

Curiosidade
Além da morte de Daleste, a qual recebeu notoriedade nacional e internacional, outros cantores de funk foram assassinados, e nenhum dos casos foi resolvido pela polícia. Além deles, um DJ, conhecido como DJ Chorão, foi morto no Rio de Janeiro em setembro de 2012 ao ser esquartejado por moradores de uma favela envolvidos diretamente com o tráfico de drogas. Lula, da dupla Naldo e Lula, teve o corpo carbonizado e acabou sendo reconhecido em uma arcada dentária. Entre as outras mortes não resolvidas, estão a dos MCs Felipe Boladão, Primo, Duda do Marapé e Careca. Já o cantor Julio Cesar Ferreira, conhecido pelo nome artistico MC Neguinho do Kaxeta, foi alvo de uma tentativa de assassinato enquanto dirigia um carro na Baixada Santista em junho de 2012; apesar de ser atingido por vários disparos, ele apenas lesionou o e conseguiu sobreviver.